Quinta-feira, 30 de Dezembro de 2010

Sem imaginação para continuar...

O título diz tudo...

publicado por Peace☮ às 20:53
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Domingo, 5 de Dezembro de 2010

Capítulo 3

Capítulo 3

Olhei para o relógio para mais uma vez tomar conhecimento das horas. Eram 15 horas em ponto e o jogo ia começar. Não ia de modo algum assistir à partida, não depois do que aconteceu.

Sentia-me totalmente perdida, desejava ardentemente a morte. Nunca tal me tinha acontecido, nunca sofrera tanto. Não àquele ponto.

Sentada na cadeira da biblioteca, as imagens vieram de novo à cabeça: o quase beijo, a rapariga elegante fulminando-me com o olhar. E a nossa pequena conversa: ele é meu, tu não prestas para ele, não deve de haver pessoa mais feia que tu e aprende a vestir-te. Estas foram algumas das expressões que ela fez questão de me atirar à cara.

Já sabia que não era bonita, nem interessante ao ponto de alguém como Afonso se sentir minimamente atraído por mim.

Funguei e comecei a fazer o trabalho. Li cuidadosamente as questões e reli sempre as respostas. De vez em quando uma lágrima escapava-me do canto do olho e limpava-a apressadamente.

Apenas faltava o ponto final na última resposta quando a cadeira que estava a meu lado foi arrastada com um ruído quase nulo. Não queria olhar pois já sabia quem era. Afonso colocou o seu saco desportivo no chão. Do lado oposto ao dele, sentava-se Inês com um ar ofendido.

-Primeira pergunta – Iniciou Afonso – porque não foste ver o jogo? – Não respondi, limitei a colocar o ponto que faltava na frase. Fiquei zangada comigo mesma. Naquele momento tinha de estar ocupada uma vez que não queria olhar para o rosto dele, mas por estupidez minha, já tinha tudo acabado e revisto. Encostei suavemente a minha cara à mão direita (o lado onde ele estava) e reli as perguntas e as respostas, outra vez. – Inês importas-te? – A rapariga levantou-se sem proferir nada e saiu da biblioteca. Fiquei a olhar para a porta onde ela desaparecera. Estava agora sozinha com ele. – Estou à espera de uma resposta!

-Fiquei a fazer o trabalho. – Disse num tom demasiado baixo, sem saber se ele ouvira ou não.

-O trabalho é de grupo, logo, não tinhas nada de o fazer sem o resto dos membros. – Agarrou numa perna da minha cadeira e puxou-a de maneira a que eu ficasse de frente para ele. – Porque não esperas-te ao menos que o jogo acabasse?

- Porque tenho de ir para casa. – Levantei-me e comecei a arrumar as minhas coisas. – Não se preocupem, eu já acabei tudo.

-Eu levo-te a casa, assim podemos falar melhor no carro. – Agarrou no seu saco e dirigiu-se à porta. Calculei que estivesse a falar com Inês. Coloquei a mala no ombro e dirigi-me também à porta.

-Precisas que te leve a casa? – Perguntava ele a Inês. Ela olhou para mim e de seguida para ele. – Não é preciso. – E piscou-lhe o olho. Preparava-me para passar por eles e seguir quando Afonso agarrou-me o braço e puxou-me para trás. – Então vemo-nos amanhã. – A rapariga sem responder voltou-nos costas e partiu. – Muito bem, aonde é que pensas que ias?

-Para casa, já estou atrasada. – Menti.

-Então lamento, mas vais chegar ainda mais atrasada porque a nossa conversa não acabou. – Suspirei e olhei para a mão dele no meu braço.

A imagem da rapariga ao pé da porta a gozar comigo vieram outra vez à tona e as lágrimas começavam a escorrer-me pela face. Continuei com a cabeça baixa de maneira a que ele não visse o meu estado, mas comecei a tremer e ele ficou preocupado.

-Estás com frio? – Perguntou ansioso. Abanei a cabeça em sinal de negação, mas isso não o acalmou, colocou a sua mão por baixo do meu queixo e obrigou-me a encará-lo.

No momento em que viu as minhas lágrimas, puxou-me contra o seu peito. Ficamos a entreolharmo-nos durante um longo tempo que eu quebrei baixando a cabeça. Sentia-me tão estúpida porque só naquele dia, tinha chorado mais que quase um ano.

- Por favor diz-me porque estás a chorar! – Consegui sentir a profunda angústia que aquelas palavras transmitiam. Ergui a cabeça e encarei-o nos olhos.

-Porque é que estás assim? Porque te preocupas tanto comigo? – Questionei-o com um tom triste e confuso. – As suas mãos subiram e ficaram a segurar-me o rosto, acariciando as minhas bochechas.

-Preferes acções ou palavras? – Não entendi o sentido da pergunta, mas respondi na mesma.

-As acções revelam sempre a realidade das palavras.

-Amo-te. – Ainda as palavras não tinham sido pronunciadas por completo já os seus lábios estavam unidos aos meus. As suas mãos que antes se encontravam no meu rosto estavam agora na minha cintura, as minhas estavam na sua nuca.

 

Desculpem se tem erros!

publicado por Peace☮ às 19:39
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Sábado, 20 de Novembro de 2010

Capítulo 2

Capítulo 2

A primeira claridade da manhã acordou-me. Apesar de ter dormido bem durante toda a noite, sentia-me cansada, fraca. As minhas pernas doíam-me tanto como se tivesse passado a noite a correr.

Lentamente esfreguei os olhos com as mãos em forma de punho e com a mesma lentidão levantei-me da cama.

Estava a vestir-me quando de repente lembrei-me que hoje era o dia do jogo e de acabar o trabalho. Desejava ardentemente voltar a trás no tempo e que nunca tivesse ido para aquela escola. Não queria de todo ir fazer o trabalho e muito menos assistir a um jogo de futebol. Claro que não era qualquer jogo, mas não tinha vontade nenhuma de ir vê-lo jogar. Queria fugir dele.

Enquanto descia as escadas, pensava numa maneira de voltar para casa o mais cedo possível. Lembrei-me que, no tempo em que decorria o jogo poderia adiantar a minha parte do trabalho ou mesmo fazer o trabalho todo e depois vir-me embora. Havia um problema. Como é que iria fazer com que Inês fosse assistir ao jogo sozinha? Ela de certeza que não me iria permitir fazer o trabalho sozinha. Suspirei e continuei a andar.

No meio do caminho para a escola alguém tenta roubar-me a mala. Quando olho para essa pessoa vejo Inês rir-se.

-Bom dia Adriana! As malas não se usam assim, é mais fácil de a roubar assim! – E piscou-me o olho. – Tudo bem?

- Bom dia. Tudo bem e contigo? – Respondi baixinho, estava um pouco zangada com o que ela fizera.

-Hum… Não achaste graça ao facto de eu te ter puxado a mal? – Perguntou-me.

-Por acaso não… - Respondi com sinceridade.

-Pronto, okay! – Pelo tom de voz ela estava aborrecida. Era uma rapariga que levava a vida na brincadeira e eu coloquei-lhe um travão. Ela não tinha gostado.

-Desculpa, hoje não me sinto muito bem. – E baixei a cabeça timidamente.

-Isso não é desculpa! – Disse em tom mais alto e acelerou o passo passando-me à frente sem sequer esperar por mim.

Fiquei a olhar para a sua figura a movimentar-se rapidamente. Estava mesmo muito zangada.

As lágrimas vieram-me aos olhos e comecei a recuar. Iria faltar às aulas. Não queria estar ao pé dela.

Depois de dar poucos passos fui embater contra algo. Sem forças caí no chão apoiando-me nos cotovelos.

-Hey estás bem? – Não podia ser ele, não podia. Olhei para ele e respondi-lhe.

-Sim estou. – Levantei-me e sacudi o pó no meu casaco.

-Desculpa! Estava distraído e nem te vi! Estás mesmo bem? Pareces-me pálida! Aonde ias? – Fiquei tonta com tantas perguntas. Coloquei a mão na minha testa e fechei os olhos. Rezei para que as tonturas passassem rápido. – Não estás nada bem! É melhor levar-te ao hospital!

-Eu estou bem! Não é preciso ir ao hospital. – Disse tentado acalmá-lo.

-Tens a certeza? – Disse olhando-me. Eu levantei os meus olhos que rapidamente se entrecruzaram com os dele. Os olhos do Afonso. Azuis límpidos, simplesmente lindos. Estava a admirar os olhos dele quando o meu corpo começa a ficar cada vez mais pesado. Num momento estava em pé, noutro já estava com os joelhos apoiados no chão. A minha visão turvava ao mesmo tempo em que tudo escurecia. Foi assim até tudo ficar preto.

Os meus olhos abriram-se e estava ao colo de Afonso. A minha cabeça estava pendurada no seu braço. Mexi-me e ele parou, baixou-se e olhou para mim.

-Aleluia! Estava a ver que não!

-O que aconteceu? – Perguntei-lhe. Obriguei-me a levantar e ele ajudou-me ao mesmo tempo que explicava-me o sucedido.

-Desmaias-te! Pregaste-me cá um susto! Num segundo estávamos a falar, no outro estava a desmaiada no chão. Nem me deste tempo de te agarrar! Como te sentes agora? – Perguntou-me. Eu estava com as mãos a tapar a cara. As mãos deles agarraram as minhas e com a sua força, forçou-as a destaparem-me o rosto. – Não faças isso! Antes de desmaiar fizeste uma coisa semelhante e depois PUMBA         ! – Ri-me. – Tás-te a rir? Não tem graça nenhuma!

O sino da escola soou e eu olhei à procura da minha mala e localizei-a ao ombro dele. Aproximei-me e puxei-a. Ele voltou a puxá-la.

-O que é que foi? – Perguntei-lhe-

-Eu levo-a. – Eu olhei para ele e levantei a sobrancelha.

-Eu não estou inválida! – Protestei.

-Eu levo a tua mala. E estou a falar a sério. – Suspirei derrotada. Cruzei os braços diante do peito e comecei a dirigir-me para o edifício. - Tem calma! Nem esperas por mim!

-Já tocou, não quero chegar atrasada. – Continuei a andar.

-Eu levo-te à sala. – Parei indignada. Sentia-me extremamente pouco à vontade perto dele.

-Não preciso! Volto a repetir que não sou nem estou inválida! – Disse num tom brusco. Quando acabei de pronunciar tais palavras, olhei para o rosto triste que estava à minha frente.

-Por favor! É só para eu ficar mais descansado. – Os seus olhos brilhavam de tal maneira que eu não fui capaz de voltar a dizer que não.

-Está bem. Como queiras. – Sem demoras, colocou-se a meu lado e voltamos a andar.

Quando cheguei à sala, o professor mandou-me sentar. Quando estava no meu lugar olhei para a porta a tempo de o ver a correr e a desaparecer.

A aula passou-se com Inês calada. Sentia-me mal. Eu não queria ter magoado os seus sentimentos, por isso, quando a campainha soou pela segunda vez tentei falar com ela.

-Inês desculpa-me por favor! Eu não estava bem e descarreguei em ti. – Ela não se dignou a parar para ouvir, pelo que acabei por gritar as últimas palavras.

Estava sozinha na sala a guardar o meu material na mala, quando acabei a minha tarefa levantei-me e virei-me de costas para a porta. Não sabia se havia de chorar, de ignorar ou de tentar falar com ela outra vez. O melhor seria ir para casa depois das aulas. Mas havia o trabalho.

-Buh! – Ia gritar pelo susto, mas Afonso colocou delicadamente a sua mão sobre a minha boca. – Calma! Não era preciso assustares-te!

-Como é que queres que eu não me assuste contigo a entrares sorrateiramente e depois de repente assustares-me! – O meu tom de voz passou de histérico a um sussurro, tudo porque ele estava a passar a sua mãe na minha face. Senti as minhas bochechas a queimarem. Ele riu-se do facto de eu estar a corar.

-O que foi? – Quando falou colocou o braço livre nas minhas costas. Estávamos cada vez mais próximos. Tão próximos que os nossos lábios quase se tocavam. Ele inclinou a sua cabeça. Conseguia sentir a sua respiração na minha cara.

-Afonso! – Uma voz feminina chamou-o. Ele suspirou e afastou-se.

-O que foi? – Perguntou ele com um tom quase zangado. A rapariga tomou uma posição de quase sedução.

-O treinador chamou-te. – Disse como desafiando-o.

-Vou já. – Voltou a responder-lhe no mesmo tom.

-Se fosse a ti apressava-te, já sabes como ele é. – Afonso virou-se e deu-me um beijo na cara.

-Falamos depois. – Sussurrou-me ao ouvido. – Não te esqueças de ir ver o jogo e que depois temos de fazer o trabalho com a Inês.

-Acho que a Inês está zangada comigo… - disse tristemente. –

-Isso passa-lhe! Cuida-te. – Pela segunda vez desde que o conhecia, piscou-me o olho. A seguir, quase correu pela porta. Nesse mesmo sítio estava a rapariga. Ela olhou para ele tal como eu e depois disse:

-Ele é meu!

publicado por Peace☮ às 22:09
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Domingo, 14 de Novembro de 2010

Sinopse + [Mega] Cap 1.

Sinopse

Adriana é órfã desde sempre. Os seus pais morreram num acidente de carro depois de a deixarem no orfanato horas depois de sair do hospital.

Adriana é uma rapariga tímida, calada, por isso, tinha poucos amigos.

Por falta de alunos, a escola fecha e Adriana vê-se obrigada a afastar-se dos seus únicos amigos.

A Madre do convento contacta um seu conhecido e como Adriana é uma aluna do nível mais elevado, foi aceite nesta nova escola.

Sem saber o que a espera, acorda e parte para a nova instituição.

Quando chega e vê os carros topo de gama e as roupas dos seus colegas, reza para que ninguém repare na sua presença.

 

Capítulo 1 - Mega Capítulo

Triiiiiimmmmmmmmm.

A minha mão automaticamente deslizou pela mesa-de-cabeceira até ao botão Off. Encolhi os braços para depois esticá-los. Levantei-me calmamente. Conseguia ver a claridade que vinha da janela do outro lado do quarto. Ainda na cama, dobrei os joelhos e pousei o queixo neles. Estava assim quando a Madre espreitou pela porta.

- Bom dia! Preparada? – Perguntou-me tentando contagiar-me com a sua alegria.

-Nem por isso. – Respondi mecanicamente. O sorriso da Madre desapareceu assim como ela que fechou a porta. Levantei-me e a seguir agarrei nas calças e comecei a vestir-me. A nova escola não é como a antiga. Esta é mais chique. Vesti a minha melhor roupa e, pela primeira vez, pintei os olhos com lápis preto. (assim)

Depois de arranjada, coloquei a minha mala ao ombro e fui até à cozinha buscar uma maçã. Estava nervosa por isso não me sentei e não comi mais.

Pus-me a caminho. Não tinha dinheiro para ir de transportes públicos, pelo que fui a pé. A caminhada durava cerca de 20 minutos, também não era assim muito. O pior estava para vir quando saísse à noite.

A noite nunca me tinha inspirado confiança. Nunca me atrevi a sair à rua sozinha neste período, se possível nem ia à janela.

Afastei os meus pensamentos e concentrei-me apenas em caminhar. Este exercício tinha de funcionar. Não pretendia pensar no que me esperava antes de lá chegar. Para me distrair mais, coloquei os phones do Mp3 que uma amiga me tinha oferecido pois os pais tinham-lhe comprado um iPod, logo, já não precisava daquele.

Estava tão embrenhada na letra da música que só apercebi que já tinha chegado quando umas raparigas riram-se à minha passagem. Não olhei para trás. Limitei-me a tirar e a guardar o Mp3 na mochila. Quando os meus olhos se ergueram para a minha nova escola apercebi-me imediatamente que nem a minha melhor roupa sobressaia ali.

As raparigas eram todas elegantes. Usavam skinners cujos preços deveriam de ultrapassar os 100€. As suas roupas tinham aspecto delicado e os seus penteados cuidadosamente elaborados. Senti uma pontada de inveja.

Imediatamente tentei perceber como é que eram os rapazes. Todos usavam cristas que deveriam de demorar uma infinidade de tempo a fazer, quantidades de gel que nem conseguia imaginar. Usavam pólos da Lacoste. Usavam também botas da Timberland, cujo dinheiro para umas eu deveria de demorar cerca de 10 anos a ajuntar. Eu sempre quisera umas de cor-de-rosa. Posso mesmo dizer que seria um sonho tornado realidade.

A seguir, olhei para mim. Tinha vestido umas calças simples que uma colega me dera pois já não lhe serviam. A minha blusa para mim era recente, tinha cerca de 7 meses. Os meus ténis não eram de marca alguma. Eram apenas uma imitação de All-Stars.

Senti um aperto no coração quando a realidade me atingiu como um raio: se na outra escola fora difícil encontrar o meu lugar, nesta, nunca o encontraria.

Sem nunca parar, passei pela porta da escola e procurei a secretaria. Para minha felicidade estava bem assinalada.

-Bom dia. – Disse eu à senhora que estava por detrás do balcão. Esta levantou os olhos para me olhar. Fez um ar de desagrado e quase de nojo.

-Estão aqui os teus papeis. Quero-os no final do dia, assinados pelos professores. – Disse com um ar rabugento, mal-humorado. Depois virou-me as costas.

Sai da secretaria e dei uma olhadela no meu horário. No meu primeiro dia de aulas iria sair à noite. Tentei decorar as aulas e as salas. Depois, sentei-me num banco. Os alunos continuavam a passar com as suas roupas, mas desta vez havia uma diferença. Quando passavam por mim, os olhos destes olhavam-me com curiosidade e outros com desprezo.

Tentei abster-me do novo pensamento que estava a vir-me à mente e olhei para o mapa que tinha entre as mãos. A primeira aula seria ali próxima.

Para não chegar atrasada, dirigi-me à sala. Pelos vistos, ali qualquer aluno podia entrar nas salas pois estas estavam sempre abertas. Na minha antiga escola, só podíamos entrar quando os professores trouxessem as chaves.

A primeira sala estava vazia. Entrei e dirigi-me para a última carteira. Não sabia se aquele lugar estava ou não ocupado. Na outra escola, os alunos tinham o hábito de se sentarem nas últimas carteiras.  Se houvesse problemas, levantar-me-ia e ia para outro sítio.

Tirei um caderno e escrevi na capa o nome da disciplina. Esperava que houvesse alguém que me pudesse emprestar os seus apontamentos.

O sino interrompeu-me o pensamento. Naquele dia, tudo me interrompia os pensamentos.

A sala imediatamente encheu-se de pessoas.

Uma rapariga com estilo Emo dirigiu-se a mim e sentou-se ao meu lado.

-Olá! Sou a Inês. Importas-te? – Disse com um grande sorriso e com uma alegria contagiante. O seu tom de voz era muito engraçado.

-Olá! Sou a Adriana. Já estás sentada! – Disse e ri-me. Ela olhou para mim e sorriu.

-Tens razão! Que mal-educada que eu sou! Desculpa-me… Sou mesmo assim! Bem, visto que eu não me dou com raparigas e tu pareces-me uma rapariga à maneira, vou ficar ao pé de ti, okay? – Eu ri-me outra vez. Ela falou tão rápido que eu não tinha outra hipótese.

- Não me importo nada! Acho que preciso de uma guia!

-Oh minha querida! Eu vou-te dizer tudo! Quem é boa pessoa, quem é má, com quem é que te deves dar para isto e para aquilo. O que deves de comer, o que deves de beber, o que deves fazer…

-Coitada da rapariga! Ainda agora chegou e já estás a chateá-la. Isso não se faz! – O rapaz que falou era simplesmente lindo. Tinha uma crista perfeita com um cabelo negro. Os seus olhos sobressaíam porque eram azuis-claros. Desviei logo os olhos para a rapariga.

- Não lhe ligues, ele é um mal-educado que nem sabe dizer “olá” e apresentar-se. – Disse a rapariga olhando severamente para o rapaz recém-chegado.

-Olá! Sou o Afonso e pelos vistos o teu novo colega! – O sorriso dele era lindo. Nunca tinha visto ninguém assim.

-Sou a Adriana. – Disse timidamente.

- Muito prazer! – Disse a rir-se de mim. Depois virou-se para a Inês e começaram a falar. Agarrei na caneta e soltei o meu cabelo para que me ocultasse uma parte da cara.

A professora que já estava na sala já era de uma certa idade. Meteu ordem na sala. Afonso voltou-se para a frente.

Inês deu-me uma cotovelada no braço e eu olhei para ela.

- Não sejas tímida! Sê natural! – Disse ela piscando-me o olho. – Ele é um pão não é? Se quiseres eu apresento-te melhor! – E piscou-me o olho. Eu corei e ela riu-se.

- Mas eu sou assim! – Exclamei.

- Donzela em perigo! – Olhei para ela e ela calou-se.

-Meninos, hoje vão fazer trabalho em grupo! Façam, por favor grupos de 3 pessoas. – Disse a professora com uma voz cantante.

-Afonso vira-te para aqui! – Eu fiquei chocada. Eu não queria. Ele agarrou no caderno e virou-se. O seu parceiro disse que ele não podia simplesmente virar-se pois não queria ouvir as conversas dele. Afonso agarrou na cadeira e sentou-se à minha direita. O cheiro da sua colónia chegou-me ao nariz. O cheiro era agradável ao contrário do que eu estava habituada que era um cheiro agressivo.

Nunca um rapaz assim se tinha sentado ao pé de mim daquela maneira tão próxima.

Começamos o trabalho. Era um trabalho de interpretação e essa era a minha área. Ambos ficaram impressionados com as respostas que eu dava.

A uma certa altura, Afonso disse:

-Em todos os trabalhos de grupo, mesmo que seja a pares quero ficar contigo parceira. – Eu sorri e respondi “okay”.

-Está quase a tocar por isso, quero que acabem para mo entregarem na próxima aula. – Quando a professora acabou, agarrei no horário e vi que o trabalho tinha que ser entregue dali a 2 dias. Isso queria dizer que o meu grupo teria de se reunir outra vez.

Depois de a professora falar os alunos começaram-se todos a ir embora e à mesma velocidade com que a sala encheu-se, também ficou vazia.

Levantei-me sem fazer muito barulho e fui ter com a professora.

-Professora, pode assinar-me isto por favor? – Pedi eu como bem-educada que era.

-Hum… Claro! Sê bem-vinda à escola e não ligues aos comentários maldosos. – Disse ao mesmo tempo que assinava o papel.

-Obrigada! – Agradeci tanto pelo conselho como pelo papel. Sai da sala e a Inês estava à minha espera.

Assim que cheguei ao pé dela começou a andar. Pelas horas, deveria de se estar a conduzir-me para a cantina.

Abri a boca quando ela virou uma esquina e me deparei com um lance de escadas largas que iam conduzir ao bar/cantina. Aquele espaço era enorme! As mesas eram todas dos tons pretos e amarelos assim como as cadeiras e os balcões de atendimento.

A minha amiga foi até ao balcão e depois olhou para mim. Fiz-lhe sinal que tinha a minha comida na mala. Os meus olhos precipitaram-se à procura de uma mesa vaga. Encontrei uma no fundo da enorme sala.

Passados poucos minutos, a Emo foi ter comigo e sentou-se ao meu lado esquerdo. Trazia consigo um tabuleiro com tudo: bifes com batatas fritas, sumo de pêssego, fruta e pudim.

Comecei a tirar o meu almoço para cima da mesa. Tinha um iogurte, duas sandes de fiambre e manteiga e uma garrafa de água. Inês ficou paralisada com o garfo na boca.

-O que foi? – Perguntei-lhe

-Só vais comer isso? – Perguntou com surpresa. – Diz-me que tens mais dentro da mala.

-Não, só tenho isto… O que tem? Sou uma rapariga de pouco alimento… - Disse-lhe. Bem, até era verdade, principalmente quando estava triste. Nesses dias, eu passava sem comer por vontade própria.

-Queres um bife? – Questionou-me mais uma vez.

-Não, obrigada.

-Tens a certeza? – Insistiu.

-Absoluta sintética.

-Tu é que sabes… Eu a comer isso era para subir as escadas e desmaiar!

-Mas eu não sou assim!

-Tu lá sabes! – Tentei imediatamente. Arrastei os olhos por toda a cantina e avistei-o. Estava com um grupo de rapazes. Todos tinham o mesmo casaco que combinavam com as mesas.

-Porque é que aquele grupo é tão grande? – E apontei para o grupo onde estava Afonso.

-É a equipa de futebol. O Afonso é o capitão. Essa é uma das razões pelo qual ele é tão popular aqui na escola.

-Humm okay. Amanhã eles têm jogo, queres ver?

-Temos de fazer o trabalho… - Disse hesitante. Já estava habituada a ser eu a acabar os trabalhos de grupo sozinha.

Ah! Não te preocupes, fazemos depois do jogo! – Eu fiquei surpreendida por ela querer fazer o trabalho.

-Está bem… - Trinquei uma sandes. O resto da hora do almoço passou-se connosco a falar das raparigas populares de quem eu tinha que me afastar. A minha parceira contou-me que Afonso nunca andara com ninguém porque queria encontrar a tal.

Isso fascinou-me porque não eram muitos os rapazes assim. Quando dei para mim, a nossa hora de almoço tinha acabado.

As aulas seguintes passaram-se rapidamente sem ver o Afonso.

A última aula passou-se lentamente. Quando o sino tocou o meu receio tomou conta de mim.

Já estava fora do edifício a caminho do orfanato. A noite era silenciosa e não havia barulhos. Estava sozinha, ou pelo menos era o que pensava.

Durante o caminho, apenas pensava que ia assistir ao jogo de Afonso, o primeiro jogo da nova temporada. O que será que ele pensava de mim? Será que me achava bonita?

Sorri para depois me afundar na tristeza.

Nunca ninguém iria gostar de mim porque não era gira e muito menos atraente. Era apenas uma rapariga inteligente que era apenas falada pelos outros para gozarem ou humilharem.

Lágrimas escaparam-me dos olhos quando entrei no orfanato. A Madre estava à minha espera, mas eu limitei-me a passar por ela. Nem se deu ao trabalho de perguntar se queria jantar pois ela já sabia que no estado em que estava, apenas iria servir para passar uma noite na casas-de-banho.

 

 

publicado por Peace☮ às 10:09
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there's a first time for everything
I need you, because it's the first time...
the first time for everything
Adriana
Órfã

Adriana é órfã e vive num orfanato. Ela vai para uma nova escola e apaixona-se. Vai ser desprezada, gozada e humilhada
Vai ser vítima de Bullying.

Afonso
by O que todas querem

É popular porque é o capitão da equipa de futebol. Todas as raparigas estão atraídas por ele, mas ele não lhes liga, pois procura a tal. Quando está zangado pode ser muito frio.

Estela
Quer todos

Já esteve com todos os rapazes, menos um. Ela vai ultrapassar os limites só para estar com ele

Inês
Fiel

É justa e fiel quando gosta de alguém. Ela vai ajudar a nova aluna. É grande amiga de Afonso e vai ajudá-lo com a tal. Inês não é das mais populares, pois é Emo.