Domingo, 14 de Novembro de 2010

Sinopse + [Mega] Cap 1.

Sinopse

Adriana é órfã desde sempre. Os seus pais morreram num acidente de carro depois de a deixarem no orfanato horas depois de sair do hospital.

Adriana é uma rapariga tímida, calada, por isso, tinha poucos amigos.

Por falta de alunos, a escola fecha e Adriana vê-se obrigada a afastar-se dos seus únicos amigos.

A Madre do convento contacta um seu conhecido e como Adriana é uma aluna do nível mais elevado, foi aceite nesta nova escola.

Sem saber o que a espera, acorda e parte para a nova instituição.

Quando chega e vê os carros topo de gama e as roupas dos seus colegas, reza para que ninguém repare na sua presença.

 

Capítulo 1 - Mega Capítulo

Triiiiiimmmmmmmmm.

A minha mão automaticamente deslizou pela mesa-de-cabeceira até ao botão Off. Encolhi os braços para depois esticá-los. Levantei-me calmamente. Conseguia ver a claridade que vinha da janela do outro lado do quarto. Ainda na cama, dobrei os joelhos e pousei o queixo neles. Estava assim quando a Madre espreitou pela porta.

- Bom dia! Preparada? – Perguntou-me tentando contagiar-me com a sua alegria.

-Nem por isso. – Respondi mecanicamente. O sorriso da Madre desapareceu assim como ela que fechou a porta. Levantei-me e a seguir agarrei nas calças e comecei a vestir-me. A nova escola não é como a antiga. Esta é mais chique. Vesti a minha melhor roupa e, pela primeira vez, pintei os olhos com lápis preto. (assim)

Depois de arranjada, coloquei a minha mala ao ombro e fui até à cozinha buscar uma maçã. Estava nervosa por isso não me sentei e não comi mais.

Pus-me a caminho. Não tinha dinheiro para ir de transportes públicos, pelo que fui a pé. A caminhada durava cerca de 20 minutos, também não era assim muito. O pior estava para vir quando saísse à noite.

A noite nunca me tinha inspirado confiança. Nunca me atrevi a sair à rua sozinha neste período, se possível nem ia à janela.

Afastei os meus pensamentos e concentrei-me apenas em caminhar. Este exercício tinha de funcionar. Não pretendia pensar no que me esperava antes de lá chegar. Para me distrair mais, coloquei os phones do Mp3 que uma amiga me tinha oferecido pois os pais tinham-lhe comprado um iPod, logo, já não precisava daquele.

Estava tão embrenhada na letra da música que só apercebi que já tinha chegado quando umas raparigas riram-se à minha passagem. Não olhei para trás. Limitei-me a tirar e a guardar o Mp3 na mochila. Quando os meus olhos se ergueram para a minha nova escola apercebi-me imediatamente que nem a minha melhor roupa sobressaia ali.

As raparigas eram todas elegantes. Usavam skinners cujos preços deveriam de ultrapassar os 100€. As suas roupas tinham aspecto delicado e os seus penteados cuidadosamente elaborados. Senti uma pontada de inveja.

Imediatamente tentei perceber como é que eram os rapazes. Todos usavam cristas que deveriam de demorar uma infinidade de tempo a fazer, quantidades de gel que nem conseguia imaginar. Usavam pólos da Lacoste. Usavam também botas da Timberland, cujo dinheiro para umas eu deveria de demorar cerca de 10 anos a ajuntar. Eu sempre quisera umas de cor-de-rosa. Posso mesmo dizer que seria um sonho tornado realidade.

A seguir, olhei para mim. Tinha vestido umas calças simples que uma colega me dera pois já não lhe serviam. A minha blusa para mim era recente, tinha cerca de 7 meses. Os meus ténis não eram de marca alguma. Eram apenas uma imitação de All-Stars.

Senti um aperto no coração quando a realidade me atingiu como um raio: se na outra escola fora difícil encontrar o meu lugar, nesta, nunca o encontraria.

Sem nunca parar, passei pela porta da escola e procurei a secretaria. Para minha felicidade estava bem assinalada.

-Bom dia. – Disse eu à senhora que estava por detrás do balcão. Esta levantou os olhos para me olhar. Fez um ar de desagrado e quase de nojo.

-Estão aqui os teus papeis. Quero-os no final do dia, assinados pelos professores. – Disse com um ar rabugento, mal-humorado. Depois virou-me as costas.

Sai da secretaria e dei uma olhadela no meu horário. No meu primeiro dia de aulas iria sair à noite. Tentei decorar as aulas e as salas. Depois, sentei-me num banco. Os alunos continuavam a passar com as suas roupas, mas desta vez havia uma diferença. Quando passavam por mim, os olhos destes olhavam-me com curiosidade e outros com desprezo.

Tentei abster-me do novo pensamento que estava a vir-me à mente e olhei para o mapa que tinha entre as mãos. A primeira aula seria ali próxima.

Para não chegar atrasada, dirigi-me à sala. Pelos vistos, ali qualquer aluno podia entrar nas salas pois estas estavam sempre abertas. Na minha antiga escola, só podíamos entrar quando os professores trouxessem as chaves.

A primeira sala estava vazia. Entrei e dirigi-me para a última carteira. Não sabia se aquele lugar estava ou não ocupado. Na outra escola, os alunos tinham o hábito de se sentarem nas últimas carteiras.  Se houvesse problemas, levantar-me-ia e ia para outro sítio.

Tirei um caderno e escrevi na capa o nome da disciplina. Esperava que houvesse alguém que me pudesse emprestar os seus apontamentos.

O sino interrompeu-me o pensamento. Naquele dia, tudo me interrompia os pensamentos.

A sala imediatamente encheu-se de pessoas.

Uma rapariga com estilo Emo dirigiu-se a mim e sentou-se ao meu lado.

-Olá! Sou a Inês. Importas-te? – Disse com um grande sorriso e com uma alegria contagiante. O seu tom de voz era muito engraçado.

-Olá! Sou a Adriana. Já estás sentada! – Disse e ri-me. Ela olhou para mim e sorriu.

-Tens razão! Que mal-educada que eu sou! Desculpa-me… Sou mesmo assim! Bem, visto que eu não me dou com raparigas e tu pareces-me uma rapariga à maneira, vou ficar ao pé de ti, okay? – Eu ri-me outra vez. Ela falou tão rápido que eu não tinha outra hipótese.

- Não me importo nada! Acho que preciso de uma guia!

-Oh minha querida! Eu vou-te dizer tudo! Quem é boa pessoa, quem é má, com quem é que te deves dar para isto e para aquilo. O que deves de comer, o que deves de beber, o que deves fazer…

-Coitada da rapariga! Ainda agora chegou e já estás a chateá-la. Isso não se faz! – O rapaz que falou era simplesmente lindo. Tinha uma crista perfeita com um cabelo negro. Os seus olhos sobressaíam porque eram azuis-claros. Desviei logo os olhos para a rapariga.

- Não lhe ligues, ele é um mal-educado que nem sabe dizer “olá” e apresentar-se. – Disse a rapariga olhando severamente para o rapaz recém-chegado.

-Olá! Sou o Afonso e pelos vistos o teu novo colega! – O sorriso dele era lindo. Nunca tinha visto ninguém assim.

-Sou a Adriana. – Disse timidamente.

- Muito prazer! – Disse a rir-se de mim. Depois virou-se para a Inês e começaram a falar. Agarrei na caneta e soltei o meu cabelo para que me ocultasse uma parte da cara.

A professora que já estava na sala já era de uma certa idade. Meteu ordem na sala. Afonso voltou-se para a frente.

Inês deu-me uma cotovelada no braço e eu olhei para ela.

- Não sejas tímida! Sê natural! – Disse ela piscando-me o olho. – Ele é um pão não é? Se quiseres eu apresento-te melhor! – E piscou-me o olho. Eu corei e ela riu-se.

- Mas eu sou assim! – Exclamei.

- Donzela em perigo! – Olhei para ela e ela calou-se.

-Meninos, hoje vão fazer trabalho em grupo! Façam, por favor grupos de 3 pessoas. – Disse a professora com uma voz cantante.

-Afonso vira-te para aqui! – Eu fiquei chocada. Eu não queria. Ele agarrou no caderno e virou-se. O seu parceiro disse que ele não podia simplesmente virar-se pois não queria ouvir as conversas dele. Afonso agarrou na cadeira e sentou-se à minha direita. O cheiro da sua colónia chegou-me ao nariz. O cheiro era agradável ao contrário do que eu estava habituada que era um cheiro agressivo.

Nunca um rapaz assim se tinha sentado ao pé de mim daquela maneira tão próxima.

Começamos o trabalho. Era um trabalho de interpretação e essa era a minha área. Ambos ficaram impressionados com as respostas que eu dava.

A uma certa altura, Afonso disse:

-Em todos os trabalhos de grupo, mesmo que seja a pares quero ficar contigo parceira. – Eu sorri e respondi “okay”.

-Está quase a tocar por isso, quero que acabem para mo entregarem na próxima aula. – Quando a professora acabou, agarrei no horário e vi que o trabalho tinha que ser entregue dali a 2 dias. Isso queria dizer que o meu grupo teria de se reunir outra vez.

Depois de a professora falar os alunos começaram-se todos a ir embora e à mesma velocidade com que a sala encheu-se, também ficou vazia.

Levantei-me sem fazer muito barulho e fui ter com a professora.

-Professora, pode assinar-me isto por favor? – Pedi eu como bem-educada que era.

-Hum… Claro! Sê bem-vinda à escola e não ligues aos comentários maldosos. – Disse ao mesmo tempo que assinava o papel.

-Obrigada! – Agradeci tanto pelo conselho como pelo papel. Sai da sala e a Inês estava à minha espera.

Assim que cheguei ao pé dela começou a andar. Pelas horas, deveria de se estar a conduzir-me para a cantina.

Abri a boca quando ela virou uma esquina e me deparei com um lance de escadas largas que iam conduzir ao bar/cantina. Aquele espaço era enorme! As mesas eram todas dos tons pretos e amarelos assim como as cadeiras e os balcões de atendimento.

A minha amiga foi até ao balcão e depois olhou para mim. Fiz-lhe sinal que tinha a minha comida na mala. Os meus olhos precipitaram-se à procura de uma mesa vaga. Encontrei uma no fundo da enorme sala.

Passados poucos minutos, a Emo foi ter comigo e sentou-se ao meu lado esquerdo. Trazia consigo um tabuleiro com tudo: bifes com batatas fritas, sumo de pêssego, fruta e pudim.

Comecei a tirar o meu almoço para cima da mesa. Tinha um iogurte, duas sandes de fiambre e manteiga e uma garrafa de água. Inês ficou paralisada com o garfo na boca.

-O que foi? – Perguntei-lhe

-Só vais comer isso? – Perguntou com surpresa. – Diz-me que tens mais dentro da mala.

-Não, só tenho isto… O que tem? Sou uma rapariga de pouco alimento… - Disse-lhe. Bem, até era verdade, principalmente quando estava triste. Nesses dias, eu passava sem comer por vontade própria.

-Queres um bife? – Questionou-me mais uma vez.

-Não, obrigada.

-Tens a certeza? – Insistiu.

-Absoluta sintética.

-Tu é que sabes… Eu a comer isso era para subir as escadas e desmaiar!

-Mas eu não sou assim!

-Tu lá sabes! – Tentei imediatamente. Arrastei os olhos por toda a cantina e avistei-o. Estava com um grupo de rapazes. Todos tinham o mesmo casaco que combinavam com as mesas.

-Porque é que aquele grupo é tão grande? – E apontei para o grupo onde estava Afonso.

-É a equipa de futebol. O Afonso é o capitão. Essa é uma das razões pelo qual ele é tão popular aqui na escola.

-Humm okay. Amanhã eles têm jogo, queres ver?

-Temos de fazer o trabalho… - Disse hesitante. Já estava habituada a ser eu a acabar os trabalhos de grupo sozinha.

Ah! Não te preocupes, fazemos depois do jogo! – Eu fiquei surpreendida por ela querer fazer o trabalho.

-Está bem… - Trinquei uma sandes. O resto da hora do almoço passou-se connosco a falar das raparigas populares de quem eu tinha que me afastar. A minha parceira contou-me que Afonso nunca andara com ninguém porque queria encontrar a tal.

Isso fascinou-me porque não eram muitos os rapazes assim. Quando dei para mim, a nossa hora de almoço tinha acabado.

As aulas seguintes passaram-se rapidamente sem ver o Afonso.

A última aula passou-se lentamente. Quando o sino tocou o meu receio tomou conta de mim.

Já estava fora do edifício a caminho do orfanato. A noite era silenciosa e não havia barulhos. Estava sozinha, ou pelo menos era o que pensava.

Durante o caminho, apenas pensava que ia assistir ao jogo de Afonso, o primeiro jogo da nova temporada. O que será que ele pensava de mim? Será que me achava bonita?

Sorri para depois me afundar na tristeza.

Nunca ninguém iria gostar de mim porque não era gira e muito menos atraente. Era apenas uma rapariga inteligente que era apenas falada pelos outros para gozarem ou humilharem.

Lágrimas escaparam-me dos olhos quando entrei no orfanato. A Madre estava à minha espera, mas eu limitei-me a passar por ela. Nem se deu ao trabalho de perguntar se queria jantar pois ela já sabia que no estado em que estava, apenas iria servir para passar uma noite na casas-de-banho.

 

 

publicado por Peace☮ às 10:09
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9 comentários:
De TC a 14 de Novembro de 2010 às 10:44
Lindo... :)


De petra. a 14 de Novembro de 2010 às 14:17
lindoo amor.
ela gosta do Afonso, se nao gosta vai gostar xDD
despacha-te a postar.


De -MP a 20 de Novembro de 2010 às 17:33
Adorei *-*
Mais +.+


De p;αndяαde. ॐ a 20 de Novembro de 2010 às 17:38
gostei. :o


De CandyGirllNM a 20 de Novembro de 2010 às 18:30
Ansiosa pelo próximo capítulo! :D
Se puderes, avisas-me quando publicares?
Obrigada,

Beijinhos
http://girls-and-life.blogspot.com


De CandyGirllNM a 20 de Novembro de 2010 às 19:14
obrigada :D


De Ann# a 20 de Novembro de 2010 às 20:53
Está lindo!
Eu acho que a "tal" de Afonso vai ser a Adriana.

Posta rapido
Beijos


De - Victória ♥ a 23 de Novembro de 2010 às 17:27
qual é o nome desta musica ? *.*

este é o meu blog ---> http://lets-talk-about-this.blogs.sapo.pt/

xoxo mariana


De Ann# a 3 de Dezembro de 2010 às 18:40
Estou a espera do proximo capitulo... =P


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