Sábado, 20 de Novembro de 2010

Capítulo 2

Capítulo 2

A primeira claridade da manhã acordou-me. Apesar de ter dormido bem durante toda a noite, sentia-me cansada, fraca. As minhas pernas doíam-me tanto como se tivesse passado a noite a correr.

Lentamente esfreguei os olhos com as mãos em forma de punho e com a mesma lentidão levantei-me da cama.

Estava a vestir-me quando de repente lembrei-me que hoje era o dia do jogo e de acabar o trabalho. Desejava ardentemente voltar a trás no tempo e que nunca tivesse ido para aquela escola. Não queria de todo ir fazer o trabalho e muito menos assistir a um jogo de futebol. Claro que não era qualquer jogo, mas não tinha vontade nenhuma de ir vê-lo jogar. Queria fugir dele.

Enquanto descia as escadas, pensava numa maneira de voltar para casa o mais cedo possível. Lembrei-me que, no tempo em que decorria o jogo poderia adiantar a minha parte do trabalho ou mesmo fazer o trabalho todo e depois vir-me embora. Havia um problema. Como é que iria fazer com que Inês fosse assistir ao jogo sozinha? Ela de certeza que não me iria permitir fazer o trabalho sozinha. Suspirei e continuei a andar.

No meio do caminho para a escola alguém tenta roubar-me a mala. Quando olho para essa pessoa vejo Inês rir-se.

-Bom dia Adriana! As malas não se usam assim, é mais fácil de a roubar assim! – E piscou-me o olho. – Tudo bem?

- Bom dia. Tudo bem e contigo? – Respondi baixinho, estava um pouco zangada com o que ela fizera.

-Hum… Não achaste graça ao facto de eu te ter puxado a mal? – Perguntou-me.

-Por acaso não… - Respondi com sinceridade.

-Pronto, okay! – Pelo tom de voz ela estava aborrecida. Era uma rapariga que levava a vida na brincadeira e eu coloquei-lhe um travão. Ela não tinha gostado.

-Desculpa, hoje não me sinto muito bem. – E baixei a cabeça timidamente.

-Isso não é desculpa! – Disse em tom mais alto e acelerou o passo passando-me à frente sem sequer esperar por mim.

Fiquei a olhar para a sua figura a movimentar-se rapidamente. Estava mesmo muito zangada.

As lágrimas vieram-me aos olhos e comecei a recuar. Iria faltar às aulas. Não queria estar ao pé dela.

Depois de dar poucos passos fui embater contra algo. Sem forças caí no chão apoiando-me nos cotovelos.

-Hey estás bem? – Não podia ser ele, não podia. Olhei para ele e respondi-lhe.

-Sim estou. – Levantei-me e sacudi o pó no meu casaco.

-Desculpa! Estava distraído e nem te vi! Estás mesmo bem? Pareces-me pálida! Aonde ias? – Fiquei tonta com tantas perguntas. Coloquei a mão na minha testa e fechei os olhos. Rezei para que as tonturas passassem rápido. – Não estás nada bem! É melhor levar-te ao hospital!

-Eu estou bem! Não é preciso ir ao hospital. – Disse tentado acalmá-lo.

-Tens a certeza? – Disse olhando-me. Eu levantei os meus olhos que rapidamente se entrecruzaram com os dele. Os olhos do Afonso. Azuis límpidos, simplesmente lindos. Estava a admirar os olhos dele quando o meu corpo começa a ficar cada vez mais pesado. Num momento estava em pé, noutro já estava com os joelhos apoiados no chão. A minha visão turvava ao mesmo tempo em que tudo escurecia. Foi assim até tudo ficar preto.

Os meus olhos abriram-se e estava ao colo de Afonso. A minha cabeça estava pendurada no seu braço. Mexi-me e ele parou, baixou-se e olhou para mim.

-Aleluia! Estava a ver que não!

-O que aconteceu? – Perguntei-lhe. Obriguei-me a levantar e ele ajudou-me ao mesmo tempo que explicava-me o sucedido.

-Desmaias-te! Pregaste-me cá um susto! Num segundo estávamos a falar, no outro estava a desmaiada no chão. Nem me deste tempo de te agarrar! Como te sentes agora? – Perguntou-me. Eu estava com as mãos a tapar a cara. As mãos deles agarraram as minhas e com a sua força, forçou-as a destaparem-me o rosto. – Não faças isso! Antes de desmaiar fizeste uma coisa semelhante e depois PUMBA         ! – Ri-me. – Tás-te a rir? Não tem graça nenhuma!

O sino da escola soou e eu olhei à procura da minha mala e localizei-a ao ombro dele. Aproximei-me e puxei-a. Ele voltou a puxá-la.

-O que é que foi? – Perguntei-lhe-

-Eu levo-a. – Eu olhei para ele e levantei a sobrancelha.

-Eu não estou inválida! – Protestei.

-Eu levo a tua mala. E estou a falar a sério. – Suspirei derrotada. Cruzei os braços diante do peito e comecei a dirigir-me para o edifício. - Tem calma! Nem esperas por mim!

-Já tocou, não quero chegar atrasada. – Continuei a andar.

-Eu levo-te à sala. – Parei indignada. Sentia-me extremamente pouco à vontade perto dele.

-Não preciso! Volto a repetir que não sou nem estou inválida! – Disse num tom brusco. Quando acabei de pronunciar tais palavras, olhei para o rosto triste que estava à minha frente.

-Por favor! É só para eu ficar mais descansado. – Os seus olhos brilhavam de tal maneira que eu não fui capaz de voltar a dizer que não.

-Está bem. Como queiras. – Sem demoras, colocou-se a meu lado e voltamos a andar.

Quando cheguei à sala, o professor mandou-me sentar. Quando estava no meu lugar olhei para a porta a tempo de o ver a correr e a desaparecer.

A aula passou-se com Inês calada. Sentia-me mal. Eu não queria ter magoado os seus sentimentos, por isso, quando a campainha soou pela segunda vez tentei falar com ela.

-Inês desculpa-me por favor! Eu não estava bem e descarreguei em ti. – Ela não se dignou a parar para ouvir, pelo que acabei por gritar as últimas palavras.

Estava sozinha na sala a guardar o meu material na mala, quando acabei a minha tarefa levantei-me e virei-me de costas para a porta. Não sabia se havia de chorar, de ignorar ou de tentar falar com ela outra vez. O melhor seria ir para casa depois das aulas. Mas havia o trabalho.

-Buh! – Ia gritar pelo susto, mas Afonso colocou delicadamente a sua mão sobre a minha boca. – Calma! Não era preciso assustares-te!

-Como é que queres que eu não me assuste contigo a entrares sorrateiramente e depois de repente assustares-me! – O meu tom de voz passou de histérico a um sussurro, tudo porque ele estava a passar a sua mãe na minha face. Senti as minhas bochechas a queimarem. Ele riu-se do facto de eu estar a corar.

-O que foi? – Quando falou colocou o braço livre nas minhas costas. Estávamos cada vez mais próximos. Tão próximos que os nossos lábios quase se tocavam. Ele inclinou a sua cabeça. Conseguia sentir a sua respiração na minha cara.

-Afonso! – Uma voz feminina chamou-o. Ele suspirou e afastou-se.

-O que foi? – Perguntou ele com um tom quase zangado. A rapariga tomou uma posição de quase sedução.

-O treinador chamou-te. – Disse como desafiando-o.

-Vou já. – Voltou a responder-lhe no mesmo tom.

-Se fosse a ti apressava-te, já sabes como ele é. – Afonso virou-se e deu-me um beijo na cara.

-Falamos depois. – Sussurrou-me ao ouvido. – Não te esqueças de ir ver o jogo e que depois temos de fazer o trabalho com a Inês.

-Acho que a Inês está zangada comigo… - disse tristemente. –

-Isso passa-lhe! Cuida-te. – Pela segunda vez desde que o conhecia, piscou-me o olho. A seguir, quase correu pela porta. Nesse mesmo sítio estava a rapariga. Ela olhou para ele tal como eu e depois disse:

-Ele é meu!

publicado por Peace☮ às 22:09
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14 comentários:
De petra. a 20 de Novembro de 2010 às 22:51
awww por favor mulher. posta já!!!!


De TC a 21 de Novembro de 2010 às 11:12
:) Lindo!!!


De TC a 21 de Novembro de 2010 às 11:13
:) Lindo!!!


De Teresa a 21 de Novembro de 2010 às 11:58
Gostei muito do capítulo :D


De Ann# a 21 de Novembro de 2010 às 12:18
Lindo!
Lindo!
Lindo!
Posta muito rapido
Estou a adorar


De -Catarina' a 21 de Novembro de 2010 às 18:02
TA LIIIIINDO PFPFPF POSTA RAPIDO

Avisame quando postares pff


De -Catarina' a 23 de Novembro de 2010 às 12:36
:D


De - Victória ♥ a 23 de Novembro de 2010 às 13:50
Lindo *.*
adorei a fic , está... WOW +.+ sem palavras
xoxo mariana <3


De - Victória ♥ a 23 de Novembro de 2010 às 13:51
qual é o nome desta musica ? +...................+


De Estreloquita** a 23 de Novembro de 2010 às 20:25
ameiii
esta linda a fic
posta rapido!!
Beijos


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